Sobre o uso do livro didático em sala de aula

No “chão da escola”, como se dá exatamente o uso de fato do livro didático pelo professor? Linha a linha do livro? Apenas alguns exercícios selecionados?

(1) Nas oficinas que dei do capítulo de projeções, um PowerPoint para conduzir a aula (montado, evidentemente, com o material do capítulo) e fotocópias com os enunciados das atividades foram suficientes. Assim, não usei linha a linha o material do capítulo. O livro ficaria, assim, para um segundo momento para o aluno revisar o que foi trabalhado e acessar informações suplementares.

(2) Na escola particular onde minha filha estuda, o professor também não usa o livro didático linha a linha. De fato, o uso é mais para escolher alguns poucos exercícios. Pensando bem, nem parece valer a pena comprar o livro com tão pouco uso.

Em resumo, abri este tópico para discutir a prática do uso do livro didático na escola.

Até achei este meme na Internet.

2 Curtidas

Parece que vários professores usam o livro didático apenas na preparação das aulas. Mas se o estudante não tiver o material, pode ficar difícil estudar, se faltar as aulas ou mesmo fazer as tarefas de casa.

No artigo [1] tem uma seção chamada “Livros didáticos são usados ou não” (livre tradução). Lá elas discutem o quanto os livros didáticos são usados nas salas de aula:

Apple (1986) afirma que os livros didáticos são usados extensivamente nas escolas ianques, e Millett e Johnson (1966) faz afirmação similar sobre seu uso nas escolas inglesas. A fonte deles é o HMI [2] que afirma em 1992 que 67% das escolas usavam coleções comerciais nos anos sétimo e oitavo de escolaridade, com 41% das crianças trabalhando a partir deles de 51 a 80 % do tempo e 38% usando por mais de 80% do tempo. ([1] pag. 163)

Não consegui acessar a fonte principal [2]. Mas de todo modo são pesquisas antigas que caberiam ser realizadas de tempos em tempos. Entender esta referência perdida pode ser um bom caminho para responder à sua pergunta com precisão.

No mesmo artigo [1] (pag. 169), há uma seção que apresenta como os professores pesquisados usam o livro didático em suas salas de aula na Alemanha, França e Inglaterra. Todos os professores usam o livro didático muito frequentemente, especialmente para obterem atividades de motivação e exercícios. Mas muitos deles também procuram nos livros novas ideias ou abordagens para suas aulas, embora nem sempre usem o que encontraram.

[1] Pepin, Birgit, and Linda Haggarty. “Mathematics textbooks and their use in English, French and German classrooms.” Zentralblatt für Didaktik der Mathematik 33.5 (2001): 158-175.

[2] INSPECTORATE, HER MAJESTY’S. “Mathematics Key Stages 1, 2 and 3. A report by HM Inspectorate on the Second Year 1990-1991.” (1992).

[3] Apple, Michael W. Teachers and texts: A political economy of class and gender relations in education . Routledge, 2013.

[4] Millett, A., and D. C. Johnson. “Solving teachers’ problems? The role of the commercial mathematics scheme.” Implementing the Mathematics National Curriculum: Policy, politics and practice. New BERA dialogues series 1 (1996): 54-70.

Para registro, aqui estão os links para a discussão deste tema no Facebook:

https://www.facebook.com/humberto.bortolossi/posts/10217162805252468

https://www.facebook.com/groups/profsmat/permalink/10155998990640488/

No Colégio Técnico da UFMG, os livros didáticos ficavam em segundo plano como também o quadro negro. A aula era conduzida por estudos autodirigidos cujas instruções eram escritas pelos próprios professores. Os livros ficavam, então, para consultas desses estudos.

Melillo e Gomes - Livros Didáticos e Outros Materiais Escritos no Colégio Técnico da UFMG (1969-1997).pdf (523,4 KB)